E depois disto?

A ansiedade vai dar cabo de mim um dia. É sexta-feira, devia pôr a cabeça a descansar, mas se há órgão trabalhador é a minha cabeça: “E depois disto?”, pergunta-me ela.

O meu contrato foi renovado e, em vez de Dezembro, fico na Guiné-Bissau pelo menos até Abril. Mas e depois? Mesmo que tenha oportunidade, provavelmente não vou querer estender a minha estadia aqui por muito mais tempo. Estou apaixonada pela experiência mas não me vejo a viver numa cidade como Bissau durante anos. Ir ao cinema, ler revistas e  jornais, visitar museus e entrar em livrarias, combinar tertúlias com amigos. Comprar roupa, andar a pé, fazer ginástica, ver vídeos no Youtube e filmes na televisão, comer chocolates e gomas, não ter medo de andar sozinha, cozinhar frutas e legumes com caducidade superior a um dia. Não ter de esperar que venha a luz e a água para poder tomar banho.Tudo coisas que me fazem muita falta e que aprendi a valorizar ainda mais.

Mas e depois disto vem o quê? Sei exactamente o que não quero – uma ajuda maior do que a que possam imaginar porque já fui uma verdadeira serial killer do envio de currículos – e vagamente o que quero. Lembro-me sempre da frase feita da minha mãe:”Sobe devagar para não caíres depressa”. E até tremo porque se tivesse este emprego numa qualquer cidade europeia, estava no topo da Torre Eiffel.

Consola-me a música: “The most interesting people I know didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don’t”.

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