Ai senhores que fui pedida em casamento!

Fui ao mercado do Bandim com a Susana comprar as últimas prendas de Natal. Enquanto aguardávamos por uns tecidos, um dos muitos vendedores que nos rodeavam fixou o olhar em mim, qual macho latino, e perguntou à Susana (como se ela fosse a minha chula):

– Ela quer casar comigo?

– Não sei, tens de lhe perguntar…

– Ela é casada?

– Sim, sou!, respondo rapidamente antes que a conversa resvale por terrenos sinuosos.

– Mostra a aliança!, exige.

– Olha, está aqui, digo ao mesmo tempo que lhe mostro o dedo sem nada.

– Quê? Onde? Não vejo nada… Quero casar contigo.

– Mas eu não quero casar contigo, respondo enquanto me dirijo para a estrada.

Não sei se disse mais alguma coisa, não ouvi, estava um bocado lixada. Guineense cujo nome desconheço, se algum dia me leres e ainda quiseres casar comigo, fica a dica:

Sou pessoa com voz. Às vezes até demais. Pessoa que gosta do desconhecido, sim, mas não se atira assim de cabeça (a última vez que isso aconteceu fiquei com um galo que ainda me dói). Por isso, essa atitude precipitada e nazi de me pedires em casamento através da minha amiga, como se eu fosse um ser submisso, sem vontade própria, deu-me vontade de te dar um sopapo. E, como bem sabes, a violência doméstica na Guiné não é punível por lei pelo que era capaz de te esperar um futuro pouco agradável.

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