Allah is one

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Uma hora e meia à espera que o Renault 7 Places enchesse (o que define a hora a que um transporte público sai rumo ao destino não é um horário, mas o momento em que não existem mais lugares vazios) deu para tudo: dormir a sesta, soar em bica e reparar em todos os pormenores que poderiam vir a correr mal.

A Susana já me tinha avisado: “tenta ir nos bancos da frente para se houver alguma coisa conseguires sair”. E eu ia, mas mesmo assim… O vidro da frente todo partido, as portas sem puxadores, a falta de maçanetas e os pneus que tinham uns arames lá enrolados saberá Allah com que intenção ajudaram à realização de uma curta de terror: “Se esta coisa bate, ninguém me tira daqui, caraças.”

Pedi ao senhor para ir “devagarinho”. Palavra à qual achou muita piada e repetiu várias vezes ao mesmo tempo que tentava imitar a minha voz de desenho animado. E rematou tudo com o habitual “se Deus quiser, vamos chegar bem”. E eu que sou incapaz de depositar tanta confiança num ser que não conheço e nunca vi, não fui lá muito relaxada estrada fora.

Mas devia ser a única. O senhor ao meu lado virou-me o rabo e em posição fetal dormiu o caminho todo. Lá atrás, um dos passageiros adormeceu com a cabeça em cima do meu braço e posso quase jurar que o do outro lado ainda encostou durante alguns minutos  o corpo ao meu ombro.

Quis Allah que a viagem Bissau-Babamdica corresse sem acidentes de percurso. O melhor? O melhor foi o que lá fui fazer. Já vos mostro.

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