E agora, Sofia?

Os dias que me restam na Guiné começam a poder contar-se pelos dedos. A consultoria está terminada e o caderno preto cheio de histórias que hão-de    virar reportagens. E agora, Sofia? Começam a perguntar a mãe, o pai, o tio, a vizinha, os amigos próximos e afastados e até o parente que só vemos em funerais mas não perde a oportunidade de meter o bedelho nem que seja por uma mensagem rápida no Facebook.

E agora, Sofia? A pergunta já me deixa nauseada. Digo que não sei, que logo se vê, que alguma coisa se há-de arranjar, que vou enviar currículos. Insistem: “Mas como não sabes? Não sabes o que vais fazer? Olha que Portugal está numa grande crise…” Não respondo porque não tenho mesmo nada para dizer.  Às vezes, acho que devia mentir, falar de uma série de planos – que não tenho – com vista ao sucesso só para deixar o meu interlocutor mais aconchegadinho.

Claro que sei da crise, senhores que me estão sempre a lembrar dela! Sei da crise, sei de Portugal, sei que – pelo menos nos próximos meses – gostava de ficar em Lisboa, perto dos meus amigos, dos meus pais, construir uma cabana e meter lá dentro amor. Também sei que vou passar um  mau bocado porque aquilo que me espera estará mais perto de uma gaiola do que de uma floresta tropical, mas podem não estar sempre a lembrar-me disso?

Logo que vire uma pessoa crescida, com um trabalho das nove às oito (sim que os das nove às cinco já eram), a fotografia da cama que comprei no IKEA e um novo email profissional, aviso-vos. Até lá, relaxem, que eu vou tentar fazer o mesmo, sim?

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