Morreu-me um filho chamado TAP

A TAP roubou-me e eu estou duplamente furiosa: primeiro porque fui roubada, segundo porque fui roubada pela TAP. Tinha com a companhia aérea uma relação quase maternal: podia fazer caca, atrasar voos sem avisar, podia dar um buraco do tamanho do Versúvio, mas eu continuava a defendê-la com unhas e dentes. Aquela coisa do “ó é português, há que zelar pelo que é nosso” descia em mim de uma forma quase deprimente. Uma doença que se curou com tratamento de choque.

Era daquelas tansas que não se importava de pagar mais uns euros para voar pela TAP e ainda defendia os seus bons serviços quando comparados com os das companhias low cost. Mas a TAP roubou-me à descarada e não há comidinha a bordo ou quilinhos a mais na mala que paguem isso. O “isso” de que falo é basicamente todo o material electrónico que trazia para fazer o meu trabalho: gravador, disco externo, máquina fotográfica, ebook e outras coisas (muitas) menos importantes.

À entrada do avião no voo Lisboa-Bissau fui abordada por um funcionário que me obrigou a despachar a mala de mão porque a maquineta ia cheia. À pressa, só me lembrei de tirar o telemóvel e o computador para a mochila que levava às costas. Quando cheguei a Bissau às duas da manhã, recolhi a mala que tinha o mesmo formato e, apesar de na altura nem sequer me ter lembrado disso, não me ia parecer lá grande ideia pôr-me a abrir malas e montar um acampamento com polícias armados a mandar-me despachar. Só dei pela falta no dia seguinte, já em casa. E lixei-me porque não fiz queixa antes de sair do aeroporto.

Ao fim de dois meses de reclamações, fico a saber que a TAP não só me roubou como não se responsabiliza pelo que fez. Coisa feia. Diz-me que devia ter desconfiado dela, ter vasculhado tudo antes de pôr os pézinhos na rua, porque como toda a gente sabe estas coisas acontecem. Pois, eu não sabia. Não tenho por hábito desconfiar por antecipação. Muito menos desconfiar de quem gosto.

Mas, a partir de agora, tentarei precaver-me: voar pela TAP só se não existirem avionetas a fazerem o mesmo percurso. Aos meus leitores fica o alerta: a TAP é portuguesinha, tem uma imagem bonita, que tem, e parece inofensiva. Mas não é. Pior: não tem voz, não tem cara, nem ninguém que se responsabilize pelas coisas feias que faz.

7 thoughts on “Morreu-me um filho chamado TAP

  1. A malta que faz o handling e que costuma desviar o material… a companhia aerea normamente nao tem nada a ver com isso… e quem leva material com valor superior a certa quantia deve declarar ;-)

    • Bom dia :) Se pagar a uma empresa para lhe fazer obras em casa e lhe desaparecer mobiliário, é a essa empresa que se vai queixar e não ao pintor ou ao carpinteiro… Foi isso que eu fiz. Paguei o meu bilhete à TAP, não a quem faz o handling, por isso, é à TAP que me queixo, porque foi ela quem contratou esse serviço. Quanto a declarar o material, exactamente por ser de valor o levava comigo, na mala de mão. Ao ser abordada por um funcionário da companhia aérea que me obrigou a despachar a mala a menos de meia-hora de o avião levantar, lembrei-me de coisas como tirar o computador e o telemóvel, E pouco mais, a fila atrás de mim não perdoava.

  2. A TAP é mesmo das piores companhias que ja vooei. Inúmeros atrasos, malas perdidas ou partidas, mau atendimento a bordo. Eu voar com a TAP nunca mais. E ja tive varias vezes que fazer escalas só para não ir na TAP. Mas compensa.

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