Olá Guiné, cuma di corpo?

Passaram dois anos e meio desde que pisei na Guiné-Bissau pela primeira vez. Que, já de colchão às costas, quase obriguei a Susana a aceitar-me em casa dela (fui alvo de um inquérito apertado para ascender a sua companheira de casa –  a desgraçada hoje nega tudo mas não se acreditem). Que lá entrei carregada de latas de atum e esparguete de pacote porque de todas as coisas que me poderiam acontecer por ir sozinha para África aquilo que realmente preocupava a minha mãe era a possibilidade de eu poder morrer à fome. Que fui comprar tecidos para fazer vestidos que não passavam na cabeça e calças que trancavam abaixo da anca. Que viajei num táxi sem vidros nas janelas a cantar “chop my móni cause I don’t care” com o motorista a ensinar-me o esquema para fazer boa figura na pista de dança. Que me vesti como a “Dora, a exploradora” para ir à discoteca e passei das maiores vergonhas de que tenho memória.

Passaram dois anos e meio da viagem da minha vida. Sim, é cliché, mas é o que é. Agradeço todos os dias à Guiné por me ter tirado as palas dos olhos e oxigenado o cérebro. Por me ter dado injecções cavalares das melhores lições que se podem aprender.

Amanhã estarei de volta. E o pelele também. Estou que nem posso de tanta alegria.

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